Colorido.
Maio 26, 2009
Existe um sentimento dentro de mim que é de um forte azul borrado com amarelo. Tem um efeito sedativo que me deixa com sono da vida que levo, me dá preguiça de tê-la assim. E enquanto penso nesse sentimento esquisito e sonolento, deixo-me entregar completamente. Há anos que entrego a ele a complexidade do meu ser sem mistérios. No zênite de meus tempos já recordo o quanto perdi, faço as contas e me desespero. Existe aqui um anseio que é verde e tem a força de um assombro. Com uma concentração sem igual toma conta de minhas veias e explode em gritos fechados e olhares silenciosos, me toma de todo e me diz o que fazer. É que os dias estão passando e já nem sei mais como manuseá-los, me cria fadiga levitar sobre os relógios e assistir aos ponteiros girarem. Eles continuam incansáveis; e se param, nada pára. Porque os segundos não são apenas uma ilusão, jogam-se de mãos dadas à gravidade por sobre nós. Implacáveis e furiosos. Só que no meu cerne existe um sentimento vermelho, vívido e sem temor. Este que vai sendo injetado no meu corpo, este que é o antídoto para todas as outras cores. É o efeito que tu me faz.
Junho 8, 2009 at 2:47 am
nunca mais vim aqui
legal o final, achei bem melhor que o resto do texto em geral, essa parte do sentimento sem temor
Junho 9, 2009 at 1:42 pm
engraçado isso, porque apesar de que o final é que amarra o texto, eu gosto mais do resto.
Junho 13, 2009 at 5:35 am
Um belo texto… A forma como você utilizou a sinestesia é bela e tocante, e o texto, apesar de falar sobre apatia, tem um tom quase alegre, uma leveza muito legal :]
Julho 29, 2009 at 6:13 pm
Queria ter um tempo de mais cores…cores outras além do meu marfim ou do horrível laranja berrante que todos parecem exalar.